segunda-feira, 22 de junho de 2026

Bálsamo e Mel

Bálsamo e Mel

Existem feridas que o tempo não cura sozinho.

A pessoa continua vivendo, trabalhando, sorrindo e até servindo a Deus, mas por dentro ainda carrega marcas que nunca foram tratadas. Há dores que não aparecem no rosto, mas pesam na alma. Há lembranças que não foram apagadas, mas precisam ser curadas.

Foi em um tempo de fome que Jacó orientou seus filhos a levarem ao governador do Egito um presente: um pouco de bálsamo e um pouco de mel.

O bálsamo falava de cura. O mel falava de força, doçura e restauração. Sem saber, Jacó estava enviando aquele presente para José, o filho que pensava estar morto, o mesmo que havia sido traído pelos irmãos, vendido como escravo e esquecido numa prisão.

Mas Deus já havia trabalhado no coração de José. Quando chamou seu filho de Manassés, José declarou que Deus o fizera esquecer. Não foi amnésia. Ele lembrava de tudo. O que Deus fez foi tirar o veneno da memória.

Depois veio Efraim: Deus o fez crescer na terra da sua aflição. José não floresceu longe da dor. Floresceu no lugar onde havia sofrido.

A maior prova de sua cura não foi o cargo no Egito, nem o anel de Faraó, nem os celeiros cheios. A prova veio quando ele olhou para os irmãos que o feriram e conseguiu dizer: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem”.

Ali o bálsamo funcionou. Ali a ferida cicatrizou. Ali o mel voltou para a vida dele.

A maior tragédia não é a ferida. É fazer da ferida a sua identidade. José foi vendido, traído e esquecido, mas não passou a vida se apresentando como “o irmão que foi vendido”. Ele sabia o que lhe aconteceu, mas já não era aquilo que o definia.

Assim também acontece conosco. Há pessoas que precisam parar de carregar a mágoa como se fosse um nome. Precisam permitir que Deus toque onde ainda dói.

O verdadeiro Bálsamo de Gileade não estava numa árvore. Estava numa cruz. Cristo foi ferido para que o ferido fosse curado.

Quando a graça da cruz toca a nossa ferida, Deus transforma o mal em bem, a dor em cura e a ferida em testemunho.

Larga o fel no altar. Recebe o bálsamo. Prova o mel.

E não saia apenas com as circunstâncias mudadas. Saia com o coração curado.


Pr. Pedro Santa Inês Filho

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