Perdido, Mesmo Fazendo as Coisas Certas
Por Pedro Santa Inês
"Porque, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem... não o perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos." (Mateus 24:37-39)
Introdução: A Pergunta Perturbadora
Há uma pergunta que poucos pregadores têm coragem de fazer. Não é sobre crimes ou vícios, mas sobre o que acontece dentro da Igreja.
Quem corre mais risco: o viciado que ainda pode ouvir o evangelho, ou o homem respeitável que frequenta a igreja há vinte anos, mas cujo coração está adormecido? Jesus respondeu a isso, e a resposta incomoda: muitos não entrarão no céu, não pelo mal que fizeram, mas pelas coisas boas que os consumiram por completo.
I. O Diagnóstico Histórico: A Ocupação que Cega
Nos dias de Noé e Ló, Jesus não destacou apenas a perversão, mas a normalidade: "Comiam, bebiam, casavam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam" (Lc 17:27).
Não há pecado nesta lista. Comer, casar e empreender são atos legítimos. Onde estava o erro? O texto dá a resposta: "não perceberam".
- A arca: uma pregação visual de décadas ignorada por pessoas ocupadas.
- Indiferença: Elas não tinham ódio a Deus; tinham algo pior, a indiferença.
II. O Diagnóstico Presente: A Agenda como Ídolo
Na parábola da Grande Ceia (Lucas 14), as desculpas são legítimas: compra de campo, bois, casamento. No mundo antigo, recusar o convite após aceitá-lo era uma ofensa grave. É o que muitos cristãos fazem hoje: não dizem "não" a Jesus com palavras, mas com a agenda.
Como diz Jeremias 2:32, somos como uma noiva que esquece seus enfeites no dia do casamento. Absurdo, mas real.
III. O Diagnóstico Escatológico: Óleo que não se Empresta
Em Mateus 25, as dez virgens pareciam iguais. Todas tinham lâmpadas, mas cinco não tinham óleo.
- Relacionamento não é transferível: Não é herança nem empréstimo.
- O golpe final: O Noivo não diz "vocês atrasaram", ele diz "Não vos conheço!".
Conclusão e Aplicação
A porta vai fechar. Não com violência, mas de forma irreversível.
- Para o trabalhador: O cansaço não substitui a Presença.
- Para o pai de família: Cuidado material sem base espiritual é negligência herdada.
- Para o religioso: Conhecer o banco da igreja não é conhecer o Noivo.
O perigo não é ser mau. O perigo é ser bom demais para precisar de Deus. A porta ainda está aberta. Mas vai fechar.
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